O Cinefantasy voltou com toda energia este ano, consolidando a sua presença como o maior evento de cinema de gênero fantástico de São Paulo, e um dos mais respeitados e longevos do país. O festival, que começou no dia 2 de setembro, transformou o Centro Cultural São Paulo em um verdadeiro portal de acesso a universos insólitos, encerrou neste último domingo, dia 14, com os filmes Hippo (EUA) e Heresia (Witte Wieven, Países Baixos, no destaque acima) como os longas mais premiados nas categorias principais desta edição. “No ano passado, não foi possível realizar o festival, nós dependemos de editais e não conseguimos captar, mas foi um tempo que serviu como reflexão para pensar o formato”, avalia Eduardo Santana, criador do Cinefantasy. Os festivais de gênero fantástico, horror e fantasia estão crescendo no Brasil, eles não acontecem somente nas capitais, há eventos e mostras no interior de São Paulo e alguns eventos como o Fantaspoa, em Porto Alegre, que já se tornou tradicional.
Eduardo vê esse crescimento como expressivo, e como uma consolidação do cinema de gênero no Brasil. As produções proliferam, e os filmes possuem uma importância política, estética e artística. “Os trabalhos que recebemos apontam para o potencial dessas realizações”, diz. “Nós acreditamos na força das parcerias e na importância das produções independentes, e lutamos muito para criar o FantLlatam, La Alianza Latinoamericana de Festivales de Cine Fantástico”. De sexta a sábado, o festival exibiu os brasileiros Consequências Paralelas (foto à direita), Ogiva, e as sessões de curtas Diretoras Fantásticas, Espanha Fantástica, Brasil Fantástico. finalizando com o drama fantástico equatoriano lisérgico Alucina.
O último filme, o drama fantástico equatoriano de roteiro lisérgico Alucina, dirigido por Javier Contrera, narra a saga de Camila é uma jovem com amnésia que cria um universo fantástico em que é protegida por um peixe gigante, que a segue por toda parte (foto à esquerda).
Nesta edição, o festival apresentou 110 filmes de 30 países, reafirmando seu compromisso com a diversidade, inovação e imaginação sem limites no gênero fantástico. A programação incluiu longas e curtas-metragens, debates, atividades formativas e encontros que celebram a potência
criativa do cinema fantástico contemporâneo. Desde 2006, o Cinefantasy tem sido referência para cineastas, público e profissionais da área, com quase 2.200 filmes exibidos e mais de 150 atividades de formação realizadas, incluindo oficinas e debates. A premiação começa as 18 horas, no Centro Cultural Vergueiro, São Paulo.
Na noite do último domingo, 24 de setembro, aconteceu a cerimônia de premiação da 16ª edição do Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico no CCSP – Centro Cultural São Paulo, anunciando os filmes premiados com o Troféu José Mojica Marins, além dos prêmios especiais concedidos por parceiros do Festival aos participantes. Foram anunciados os vencedores das mostras competitivas de curtas: Afrofantástico, AI Fantástico, Animação, Brasil Fantástico, Diretoras Fantásticas, Espanha Fantástica, Estudantes, Fantasia, Ficção Científica, França Fantástica, Horror e Queer Fantástico, além da mostra competitiva de longas-metragens. Também foram revelados os premiados da Mostra de Longas de Ficção nas categorias: Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Roteiro, Melhor Direção e Melhor Filme.
Eduardo Santana, o diretor e criador do Cinefantasy.
Neste ano, o evento contou com um júri composto por 40 profissionais, com destaque para o diretor Daniel Bandeira, do filme Propriedade, a diretora de animação Rosana Urbes, vencedora do prêmio Prix Alexeïeff-Parker na 49ª edição do Festival de Annecy com o filme Safo (2025), e a produtora canadense Frysha Boilard Ares. Após a premiação foram exibidos dois episódios inéditos de Wander, nova série produzida pela Gullane para a Warner Channel, criada por Juliana Soares e Rodrigo Gasparini com direção geral de André Ristum.
Para quem perdeu a programação, vem aí duas boas oportunidade de fazer a repescagem. De 16 a 19 de setembro, o Edifício Oswald de Andrade (Oficina Cultural Três Rios) recebe um recorte especial do evento, com exibição dos filmes vencedores do 16ª Cinefantasy. E nos dias 24 e 25 de setembro, em parceria com o Instituto Cervantes, será apresentada em São Paulo a mostra Cinefantasy Galícia Fantástica, com o objetivo de promover talentos emergentes no cinema fantástico e criar uma ponte cultural entre o Brasil e a Espanha. No mesmo período, na Espanha, a mostra Curtas – Festival do Imaxinario (Vilagarcía de Arousa, Galícia, Espanha – de 24 de outubro a 2 de novembro de 2025) vai exibir a programação “Cinefantasy: Panorama Brasil”, destacando o melhor do terror brasileiro em curta-metragem.
O 16º Cinefantasy é realizado pela Fly Cow Produções por meio da Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Apoio do Centro Cultural São Paulo, Spcine, Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa e Prefeitura de São Paulo, Darkflix, DOT, Ctav, Naymove, Black Mandala. O Cinefantasy é membro-fundador do FantLatam– Alianza Latinoamerica de Festivales de Cine Fantástico e Fórum dos Festivais.
Prêmios Cinefantasy 2025
Longas-Metragens
Melhor Filme
Hippo (EUA) de Mark H. Rapaport
Melhor Direção
Didier Konings de Heresia (Paises Baixos)
Melhor Roteiro
Mark H. Rapaport de Hippo (EUA)
Melhor Ator
Kimball Farley de Hippo (EUA)
Melhor Atriz
Anneke Sluiters de Heresia (Witte Wieven, Paises Baixos)
Mostras competitivas de Curtas-Metragens
Afrofantástico
Melhor curta-metragem
Morto Não de Alex Reis
Menção honrosa
Cordão de Prata de Getúlio Ribeiro
AI Fantástica
Melhor curta-metragem
Despertei entre as Cinzas de Justine Gasquet
Menção honrosa
O Caçador de Recompensas de Ion Kinon
Animação Fantástica
Melhor curta-metragem
As Bestas de Michael Granberry
Menção honrosa
Pocket Princess, de Olivia Loccisano
Brasil Fantástico
Melhor curta-metragem
Até o Caroço de Thomas Canton
Menção honrosa
Júpiter de Carlos Segundo
Diretoras Fantásticas
Melhor curta-metragem
O Guia da Banda de Metal para O Buraco Negro de Ah-Hyun, Jeon
Tente Sua Sorte, de Guenia Lemos
España Fantastica
Melhor curta-metragem
A Cerca de Sam
Menção Honrosa
A Companhia de José María Flores
Estudantes
Melhor curta-metragem
Temporada de Caça de João Ítalo
Menção honrosa
Yara de Gabi Tores e Ana Beatriz Benevides
Fantasia Fantástica
Melhor curta-metragem
Hotel Acropole de Sarah Lasry
Menção honrosa
Bruta de Stefanie Vanhecke e Jan Pepermans
Ficção Científica
Melhor curta-metragem
Limiar / Threshold de Ash Gray.
Menção honrosa
Ataques Psicotrônicos (Brasil) de Calebe Lopes
França Fantástica
Melhor curta-metragem
Stella Anyways (França) de Yan Berthemy.
Menção honrosa
Papya (França) de Constance Delorme e Erwan Dean.
Horror
Melhor curta-metragem
Arrebol (Brasil) de Duba Rodrigues
Queer Fantástico
Melhor curta-metragem
Se eu to aqui é por mistério (Brasil) de Clari Ribeiro
Menção Honrosa
Drainomania (Austrália) de Christopher Greenslate
Indicação Gran Prêmio Fantlatam
Curta-metragem
Arrebol (Brasil) de Duba Rodrigues
Longa-metragem
Consequências Paralelas (Brasil) de CD Vallada e Gabriel França
Prêmio DOT
Melhor Longa-metragem Brasileiro
Quando o Sangue Flui de Cainã De Paulo e Pedro Valle
Master DCP para longa-metragem de até 120 minutos. Validade: um ano (setembro/2026).
Melhor Curta-metragem Brasileiro
Tente sua Sorte de Guenia Lemos
Serviços de finalização de imagem. Validade: um ano (setembro/2026).
Prêmio NayMovie| Edina Fuji
Melhor Longa-metragem Brasileiro
Ogiva de Cadu Rosenfeld
R$10 mil, equivalente à locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria para serem utilizados em uma única produção. Validade: um ano (setembro/2026).
Melhor Curta-metragem Brasileiro
Algo sobre Ilda de Gary Gananian
R$8 mil equivalente à locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria para serem utilizados em uma única produção. Validade: um ano (setembro/2026).
Prêmio CTAV
Melhor Curta-metragem Brasileiro
Esta Noite Minha Alma Partirá de Igor Vasco
Encodamento em DCP +01 HD externo. Validade: um ano (setembro/2026)
Luiza Lusvarghi
Luiza Lusvarghi é jornalista, crítica de cinema, professora e pesquisadora da Pós-Graduação em Multimeios da Unicamp (Campinas, SP), é integrante do Grupo Genecine (Grupo de Estudos Sobre Gêneros Cinematográficos e Audiovisuais), ex-diretora da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), e membro dos coletivos Elviras de Críticas de Cinema, Manifesta e + Mulheres do Audiovisual. Autora do livro O Crime como Gênero na Ficção Audiovisual da América Latina (2018) e coorganizadora e autora da coletânea Mulheres Atrás das Câmeras. Cronologia das Cineastas Brasileiras de 1930 a 2018 (2019). É organizadora das coleções Temas e Estudos de Cinema, e do Selo Phantastika, e está lançando "A Mulher do futuro, filmes, feminismos e distopias brasileiras" (2025).